Pela tevê, tio acompanha o drama

Quando viu as primeiras imagens do acidente pela televisão, José Pierucetti comentou preocupado com a esposa se o “Zé Carlos” não estava lá. A resposta dela, dizendo que o sobrinho deveria estar em Manaus, o tranqüilizou um pouco. O técnico de futebol que hoje dá assistência ao Ecus de Suzano continuou acompanhando o noticiário, indignado com o descaso das autoridades brasileiras em relação ao caos da aviação: “Lamentável que algo assim aconteça em uma cidade como São Paulo”, pensava. Ontem logo cedo, porém, um outro sobrinho confirmava a suspeita que ele não queria aceitar: Zé Carlos era, sim, uma das vítimas do acidente.

Alternando um sorriso entristecido com as lágrimas que ele tentava em vão impedir que rolassem dos olhos, Peru lembrava do último encontro que teve com o sobrinho há dez dias: “Embora ele reclamasse um pouco dizendo que passava mais tempo nos aeroportos do que em casa, ele estava muito feliz”.

Segundo contou o tio, sempre que podia José Carlos vinha a Mogi e fazia questão de encontrá-lo: “Quando estava em São Paulo não perdia um jogo do Palmeiras”.

Até o início da noite de ontem, José Pierucetti aguardava notícias do outro sobrinho, Osvaldo, irmão de José Carlos, que tratava da liberação do corpo. Ele adiantou, porém, que a família pensa em processar os responsáveis pelo acidente: “Não é pelo dinheiro, porque isso não vai resolver nada, mas é pelo descaso com que o governo vem tratando da situação”. (A.A.)