Laíde se lembra dos
sonhos da irmã professora


“Escreve um artigo bem bonito sobre a minha irmã porque ela merece”. O pedido de Laíde Ueda ao Mogi News/DAT veio carregado da emoção própria de quem vivia certamente um dos maiores dramas familiares que alguém pode enfrentar. Hospedada em um quarto de hotel junto com a mãe, Nair, Laíde aguardava notícias sobre o corpo da irmã mais velha, Vanda Ueda, uma das 200 vítimas da explosão do vôo 3054 da TAM.

O orgulho da irmã trazia lembranças da professora dedicada à Geografia, ao trabalho com entidades sociais e cheia de alegria: “A Vanda adorava o trabalho, ajudar as pessoas e viajar”. A tristeza vinha de saber que os vários sonhos que tinha não poderão mais ser realizados: “Ela tinha muitos planos”. Entre eles, escrever um livro sobre Urânia, cidade em que as duas nasceram, outro sobre condomínios e mais um sobre campos de golfe.

O último contato pessoal com a família foi em maio passado: “ela ficou com a gente quatro dias”. Mas os telefonemas todos os domingos nunca faltaram. Na última conversa, no dia 15, apenas assuntos triviais: “Ela contou que viajaria para Vitória, depois entraria de férias e que estava ansiosa para passear com a família”.

Segundo Laíde, Vanda reclamava muito do tempo que vinha perdendo nos aeroportos por conta da crise da aviação, mas não fazia críticas ao governo ou às autoridades: “Ela jamais teve medo de viajar de avião e só se incomodava mesmo com a espera”. No site de relacionamento Orkut, alunos do curso de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul já demonstravam pela professora o mesmo carinho que a irmã. (A.A)