Experiente, ex-piloto da Fumaça
diz que a responsabilidade é de todos


BRAS SANTOS

O mogiano Ivan Nunes Siqueira Júnior, de 52 anos, é piloto de avião desde 1974 e soma mais de dez mil horas de vôo. Siqueira integrou por 21 anos a Força Área Brasileira (FAB) e foi para reserva como tenente-coronel. Ele participou por quatro anos de um grupo de elite, reservado aos pilotos mais hábeis e arrojados, a Esquadrilha da Fumaça.

Em conversa como Mogi News, o experiente piloto lamentou a maior tragédia da aviação brasileira e responsabilizou a todos pelas dezenas de mortes.

“Do presidente Lula, passando pelos ministérios relacionados ao transporte aéreo e chegando à Infraero, todos são culpados. Não dá para achar um único responsável por essa tragédia. Mas dá para dividir as responsabilidades pela falta de iniciativa, de projetos, de investimentos e da modernização do sistema aéreo, que está sucateado”, afirmou o piloto.

Ele destacou que não é possível apontar as causas do acidente: “Qualquer avaliação neste momento será precipitada. Não passará de chute. De acordo com a legislação brasileira, as autoridades terão 30 dias para investigar o caso. Mas esse prazo poderá ser prorrogado”, disse o profissional.

Previsão

Siqueira observou que a tragédia de anteontem, ocorrida na avenida Washington Luiz, a 150 metros do Aeroporto de Congonhas, já poderia ser prevista: “De dez anos para cá, os investimentos no sistema aéreo do Brasil ficaram mito aquém do que era preciso fazer. Nenhuma empresa trabalha com computadores fabricados há dez anos. Mas isso ainda acontece na aviação brasileira. O nosso serviço de controle está obsoleto. Essa falta de investimentos e de iniciativa para modernizar o serviço, aliada à fatalidade, podem explicar o que aconteceu em Congonhas e, se não forem tomadas providências para modernizar a operação e reduzir as decolagens e aterrissagens neste aeroporto, coisas semelhantes deverão ocorrer”.

Maquiagem

O piloto disse que uma espécie de maquiagem foi feita em aeroportos brasileiros nos últimos anos. Isso teria encoberto a dura e perigosa realidade do sistema aéreo: “Não se pode dizer que não fizeram investimentos. Mas gastaram dinheiro construindo shoppings, estacionamentos e outras alegorias. Seria preciso, por exemplo, investir R$ 1 bilhão para trocar todos os equipamentos de controle do sistema aéreo em todo o País”.