Autoridades revolta e preocupação

O acidente com o Airbus da Tam, ocorrido anteontem, que se transformou na maior tragédia da história da aviação civil brasileira, chocou a população e as autoridades. Entrevistadas, elas fizeram pesadas críticas ao governo e reconheceram que o fato foi também resultado da crise aérea que atravessa o Brasil desde outro acidente, com o avião da Gol, no ano passado.

“Estou acompanhando a crise do setor aeroviário com grande perplexidade. Lamento profundamente a perda de tantas vidas. E a dor é ainda maior diante da perda de dois mogianos. Neste momento, nos solidarizamos com as famílias das vítimas”
Junji Abe (PSDB), prefeito de Mogi.
“A minha filha chorou muito quando viu as imagens do acidente. O povo tem de se rebelar, porque mais do que um acidente, o que ocorreu foi uma negligência. Se a pista estava escorregadia, porque a torre não transferiu os pousos para outro local”
José Cuco Pereira (PSDB), presidente da Câmara de Mogi.
“O governo hoje não tem uma diretriz para o setor aeroviário. O sistema está podre. Não é possível que uma nova tragédia tenha que acontecer para que se encontre essa diretriz. Como engenheiro, não descarto a possibilidade de a pista apresentar problemas”
Jolindo Rennó (PP), vereador de Mogi.
“Estive na semana passada em aeroportos do Japão e da França. Nenhum deles fica dentro das cidades, como ocorre com Congonhas. Em Paris, depois que o avião pousa, ele ainda precisa taxiar por mais uns quatro quilômetros antes de chegar ao desembarque”
Mauro Araújo (PSDB), vereador de Mogi.
“Acho que deve haver uma reflexão muito profunda a respeito daquele aeroporto que não atende mais às necessidades da população. Creio que São Paulo já precisa de um novo aeroporto, e Congonhas deveria se limitar aos aviões de pequeno porte”
João Anatalino Rodrigues, Provedor da Santa Casa de Mogi.
“Parte da responsabilidade é da Infraero porque a pista foi liberada antes da conclusão da reforma. Acho que está havendo um desdém das autoridades, principalmente do governo federal. É preciso mais zelo por parte das autoridades públicas”
Carlos Barbará, Presidente da OAB de Mogi.
“Não dá para sabermos, mas eu considero culpa das autoridades, porque não tem cabimento fazer a reforma de um aeroporto e liberar o funcionamento antes de ela acabar. Parte da responsabilidade é da Infraero“
Estevam Galvão (DEM), deputado estadual.
“Quando o aeroporto foi criado, ainda não existiam aviões de grande porte como existem agora. Eu acho que deveria ter uma posição drástica do governador ou do presidente de deixar Congonhas apenas para aviões pequenos”
José Candido (PT), deputado estadual.
“Infelizmente, sob a tristeza de centenas de famílias, esperamos que agora o presidente e as autoridades responsáveis pelo sistema façam o que já deveria ter sido feito: invistam na modernização do sistema”
Marco Bertaiolli (DEM), deputado estadual.
“A Assembléia já havia feito um trabalho para retirar os vôos de Congonhas. A idéia é de que todos os passageiros desçam em Campinas, Guarulhos ou São José. A discussão sobre a CPI do apagão aéreo deve voltar à tona”
Luis Carlos Gondim (PPS), deputado estadual.
“O País amanheceu mais triste. Sentimos pelas vítimas e seus familiares que ainda estão aguardando a identificação dos corpos. Ainda acredito que o transporte aéreo é muito mais seguro do que o rodoviário”
Mauro Vaz (PC do b), prefeito em exercício de Suzano.
“A fatalidade deixou toda a população brasileira apreensiva e triste. Com relação aos vôos, é preciso que haja muita cautela. Quem for fazer viagens curtas deve optar pelo carro, pois a aviação no País está muito perigosa”
Fernando Felippe, secretário de Comunicação de Poá.