Conta parcial 181 corpos
são retirados dos escombros

Até a noite de ontem, haviam sido resgatados 181 corpos da maior tragédia da história da aviação civil brasileira. Segundo os bombeiros, 16 pessoas ficaram feridas no desastre - 168 mortos estavam entre as peças carbonizadas do que restou do avião desintegrado. Oficialmente, o número de pessoas a bordo era 186. Três vítimas estavam no posto de gasolina que se incendiou quando o Airbus A320 se chocou com o lado do edifício da TAM Express - onde morreram outras nove pessoas. Ainda não é possível definir um número total de mortos. O Instituto Médico-Legal recebeu 146 corpos e fez a identificação de 12.
As famílias começaram pela manhã a procurar notícias dos mortos. A agonia foi menor para a família da gerente de logística da TAM Michele Miranda Dias, 24. O corpo dela foi o primeiro a ser liberado. “Agora é confiar em Deus e pedir forças a ele”, disse a advogada Sônia Miranda Vieira, tia da vítima. “E torcer para que as autoridades tomem vergonha na cara.” Esse, aliás, era um sentimento comum entre os familiares. Indignados, eles culparam o poder público pela tragédia. “É uma falta de organização, todos sabiam que isso podia acontecer”, disse Antônio Siqueira, tio do passageiro Ézio de Freitas, de 24 anos.
Do seu lado, o governo avalia que o choque não teve relação com os problemas de infra-estrutura aeroportuária no País, que ficaram claros desde a morte de 154 pessoas no choque entre o jato Legacy e um Boeing da Gol, em 29 de setembro. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já definiu a saída do presidente da Infraero, José Carlos Pereira. Já o ministro da Defesa, Waldir Pires, deverá ter as principais atribuições esvaziadas.
Adeus
Começou ontem o adeus aos mortos no acidente com o avião da TAM . O comerciante Osvaldo Luis de Souza foi o primeiro a ser enterrado, no Cemitério Quarta Parada no Tatuapé, zona leste. Ele trabalhava com transportes há 20 anos. Ele, mais três irmãos, e o cunhado eram responsáveis pelo embarque de medicamentos, principalmente vacinas, de empresas farmacêuticas. Luis Fernando de Souza, irmão mais novo da vítima estava no prédio no momento do acidente e consegui escapar. “Não dá para esquecer. Eu estava lá e vi meu irmão naquela situação e não pude fazer nada”, lamenta. A transportadora perdeu três carros que faziam o transporte de carga e estavam estacionados ao lado do galpão da TAM Express.
Osvaldo tinha planos para aumentar o número de carros da transportadora e expandir a frota. Outro irmão, que também estava no momento do acidente, Paulo César de Souza, que ficou ferido na cabeça com a queda de uma parede de concreto. Segundo ele, a primeira coisa que pensou foi em salvar o irmão. |
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