Acidente aéreo abala
a credibilidade do Brasil

O presidente da Federação Internacional de Controladores de Vôo, Marc Baumgartner, declarou que não é seguro voar ao Brasil e acusou o governo de estar “brincando com a vida das pessoas”. Apesar de o desastre não estar relacionado diretamente com os controladores, a Federação estimou que o acidente foi conseqüência da falta de um sistema de administração de segurança e qualidade do setor aéreo.
“A falta de segurança está colocando em risco vidas, a economia do País e a credibilidade do Brasil como um estado importante no mundo”, afirmou. A entidade pede que o governo abandone as atuais medidas de dar poderes à FAB, de reprimir os controladores e que volte a cumprir os padrões internacionais: “O governo sabia de todos os problemas em Congonhas e não fez nada. Eu não voarei ao Brasil como passageiro. É assustador”.
Para ele, novos acidentes podem ocorrer a qualquer momento se o governo não modificar sua postura. Baumgartner alerta que o governo é o principal responsável por não ter tomado medidas necessárias. “O acidente é conseqüência lógica dos problemas estruturais enfrentados no Brasil e da tentativa dos militares de tentar esconder qualquer tipo de problema ou aspecto que não esteja indo bem”, avaliou.
“Quantas pessoas mais terão de morrer antes que o governo pare com sua política de deixar que a FAB faça experiências com vidas humanas?”, questionou o presidente da entidade. “Sinais e avisos foram ignorados”, completou. Para ele, o governo está gastando energia demais em achar bodes expiratórios e não em reestruturar todo o serviço aéreo e sua segurança. “O governo está colocando em risco a vida das pessoas ao dar poderes à FAB para o controle aéreo”, disse o presidente. Sobre Congonhas, a Federação considera a pista como sendo “velha demais” e alerta que os trabalhos não foram feitos como previsto.
Um dia após o desastre com o avião da TAM, bombeiros ainda trabalham no rescaldo. Para entidade internacional, que criticou o governo, falta segurança no setor aéreo e isto abalada a credibilidade do País.
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