“Jogo de empurra causou
a tragédia”, diz especialista
A inação das autoridades provocou a tragédia anunciada. Assim avaliou a economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Lúcia Helena Salgado, em entrevista concedida à Agência Estado. Dizendo-se “consternada” com o acidente da TAM, que ainda contabiliza o total de mortos, ela criticou a falta de atitude do governo para problemas que já vinham sendo alertados. E afirmou que o que existe hoje é apenas um “jogo de empurra” entre as instituições sobre as responsabilidades.
“Se houvesse planejamento estratégico de médio a longo prazo para que a infra-estrutura atendesse as necessidades do mercado não teríamos esse cenário trágico. É muito triste, porque quem é estudioso na matéria já vem alertando há algum tempo para as necessidades”, declarou Lúcia. “Mas nada foi feito nos últimos vários anos”, acrescentou.
De acordo com Lúcia Helena, a infra-estrutura dos aeroportos não acompanhou a evolução do crescimento da demanda, no sentido de que o governo não adotou medidas que respondessem ao dinamismo do setor, que cresce a cada ano. A economista reforça que o mercado esperava um plano mais intenso por parte do governo após o acidente da Gol, em setembro do ano passado, o qual vitimou fatalmente 154 pessoas. Entretanto, segundo ela, não houve ações.
“Era esperado, desde o choque em setembro da Gol, que houvessem determinações por parte da presidência da República e nada foi feito. A gente só vê um jogo de empurra entre governo, Infraero, Aeronáutica e Anac, para as responsabilidades e elas são claras”, frisou.
Lúcia Helena aponta que há tempos deveriam ter sido elaborado projetos para o desenvolvimento da infra-estrutura. Para ela, a Infraero não tem condições de avaliar as necessidades do setor e defende, inclusive, o estudo de concessão pública e iniciativa privada para criação de novos aeroportos. “Por que não se trata a questão da concessão? A questão é a vontade de fazer”, avaliou.
Incômodo
A economista comentou ainda as questões que incomodam o setor: “Reclama-se uma série de providências de natureza governamental, de coordenação de atividade e de determinação de providências”. Segundo ela, se tivessem sido tomadas providências neste sentido, “a tragédia teria sido evitada”.
Ainda durante a entrevista, se dizendo “arrasada” com o acidente, Lúcia comentou que houve uma alteração nos termos utilizados desde o acidente da Gol.
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