Escola da colônia atrai interesse

MARIA REGINA ALMEIDA
Da reportagem local

Suzano, além de reunir um grande número de descendentes de japoneses, também abriga a primeira escola de Ensino Fundamental do País fundada pela colônia, a Associação Cultural, Esportiva e Agrícola de Suzano (Aceas). No seu segundo ano de existência, a escola dobrou o número de alunos –de 108 para 222 estudantes da 1ª a 8ª série.

O modelo de ensino adotado na escola, que alia o método construtivista ao tradicional, talvez seja um dos segredos de sucesso apontados pela direção do Centro Educacional Nipo-Brasileiro de Suzano (Cenibras). “Nossos alunos são estimulados a construir o saber (pilar do método construtivista), mas com o direcionamento dos professores, base do ensino tradicional. Tudo isso, preservando a qualidade, o conteúdo, a disciplina e o prazer pelo estudo”, atesta a diretora do Cenibras, Keiko Shimada Anrako. A escola funciona em período integral. Os alunos, além da grade curricular oficial, têm aulas de japonês, origami (dobradura), shuji (desenho do ideograma japonês) e soroban (instrumento milenar para auxiliar a fazer contas), entre outras. Keiko afirma que, apesar da ligação com a cultura japonesa, a escola é aberta a todos, descendentes ou não-descendentes, e procura introduzir atividades e festas tradicionais realizadas no Brasil e Japão. “Este mês, por exemplo, teremos a Festa Junina”, diz. O evento está marcado para o próximo sábado a partir das 13 horas (rua Dibe Tannus, 535, Chácara Reunidas Guaió, em Suzano).

Um total de 60% dos alunos são de origem japonesa. Nas salas de aulas, brasileiros e nikkeis dividem o mesmo espaço. “Aqui não há discriminação”, explica a diretora. Tanto brasileiros como descendentes participam de todas as atividades, inclusive das aulas de japonês.

Segundo ela, os próprios pais ao escolherem a escola afirmam que fizeram a opção por entenderem que o aprendizado da cultura japonesa seria importante para os filhos, por preservar os princípios de ordem e disciplina.

Recreação

No período da tarde, o espaço é sempre reservado para atividades esportivas e de recreação, aulas de reforço, grupos de estudo, tarefas escolares, entre outros. Os alunos fazem três refeições na escola –café da manhã, almoço e lanche da tarde.

A comida também é multicultural, segundo Keiko. “Todos os dias servimos o arroz brasileiro e o japonês, além de pratos da culinária dos dois países em dias alternados, como a feijoada e o akissoba”. O preparo da comida retrata bem a filosofia adotada pelo Cenibras. Um grupo de 25 mulheres da colônia em um esquema quase voluntário (elas recebem ajuda de custo) se reveza durante a semana para produzir as refeições. “Assim, conseguimos reduzir o valor da mensalidade, já que o propósito da Aceas, a mantenedora da escola, não é visar o lucro”, ressalta.

As crianças que são descendentes gostam da oportunidade de se aprofundarem mais na cultura dos seus antepassados como é o caso de Mayumi Koga, aluna da 5ª série. Ela faz aulas de origami, de shuji e de japonês. Mayumi conta que o pai fala japonês em casa e as aulas na escola ajudam no diálogo.