Junji convoca os mogianos para a audiência

Inimigo número um do projeto que prevê a instalação de um aterro regional no distrito industrial do Taboão, o prefeito de Mogi das Cruzes, Junji Abe (PSDB), fez na quinta-feira, durante o lançamento da Frente Parlamentar, o seu mais contundente ataque ao empreendimento da Queiroz Galvão.

Primeiro, para barrar a audiência que, ao que tudo indica, vai mesmo acontecer a partir das 17 horas de terça-feira. Segundo, porque no caso de insucesso na luta para impedir a reunião, os representantes dos agricultores, da indústria e de entidades da sociedade civil já se preparam para continuar a guerra e impedir o desenvolvimento do projeto. Isso porque no caso de o projeto do aterro ser aprovado na audiência pública convocada pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), a Queiroz Galvão, em menos de 60 dias, poderá receber da Secretaria de Estado do Meio Ambiente a licença prévia que lhe garantirá o direito de fazer a obra.

Em seu discurso na Assembléia Legislativa, Junji admitiu as dificuldades de enfrentar um gigante: “Estão querendo passar por cima da gente, passar por cima de Mogi, como se fossem um trator. Por isso, precisamos da participação de todos os mogianos nesta audiência pública. Precisamos mostrar o nosso inconformismo com este projeto. É preciso que todos compareçam”, convocou o prefeito.

Falta de sensibilidade

O prefeito de Mogi não fez a menor questão de esconder que está magoado com o próprio partido: “Quero dizer que estou muito triste com o meu partido, o PSDB, que tem tratado deste assunto com muita insensibilidade. Neste caso, não devemos avaliar somente os aspectos ambientais. No entanto, o governo do Estado, por meio do secretário Francisco Graziano, está mantendo a realização desta audiência que, ao meu ver, é totalmente inoportuna”, afirmou.

Ele voltou a repetir que até 2006, funcionários da secretaria estadual manipularam documentos emitidos pela Prefeitura em favor dos interesses econômicos da Queiroz Galvão. E não teve dúvida em cobrar a ação dos deputados da região do Alto Tietê que integram a Frente Parlamentar contra o aterro regional: “O ideal é que a frente procure o gabinete do secretário Francisco Graziano para reforçar mais uma vez a insatisfação de toda a cidade e da região com este aterro”. Para engrossar ainda mais o movimento e a mobilização prevista para daqui a dois dias, o prefeito pediu a compreensão da população e das lideranças para com os vereadores que até o ano passado apoiavam a implantação do aterro.

O deputado estadual e líder da bancada dos Democratas na Assembléia, Estevam Galvão de Oliveira, também aproveitou o lançamento da Frente Parlamentar, idealizada por ele, para deixar clara a sua posição contra o aterro: “Sou contra por conta dos danos ambientais e de outros riscos, como os prejuízos ao crescimento econômico da nossa região, que tem perdido arrecadação ano a ano”. O presidente da Associação de Proteção Ambiental Guerrilheiros do Itapeti, Mário Berti, que promoveu o enterro da Queiroz Galvão no largo do Rosário, num ato simbólico, disse que fez todo o possível para conscientizar a população contra o depósito de lixo: “Dei a cara para bater. Recolhemos milhares de assinaturas. Preparamos ações e realizamos manifestações públicas. Neste processo, muita gente só quis aparecer nas fotos. Mas, no final, se o Taboão e Mogi forem preservados, terá valido a pena”, avaliou. (B.S.)

“Este aterro está indo na contramão da história, porque já existe uma série de novas tecnologias disponíveis para tratar o lixo, como a Usina Verde, por exemplo. Acredito que cabe até um puxão de orelha na secretaria estadual de Meio Ambiente pelo fato de continuar aceitando projetos como este e não estimular opções que não ofereçam riscos ao meio ambiente”.
João Carlos Barbatti, advogado especializado em meio ambiente.

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“Existe um risco muito grande de contaminação do solo e, conseqüentemente, da água naquela área com a vinda deste aterro. Isso sem contar os outros tantos aspectos envolvendo a instalação de um lixão. É preciso lembrar que há alternativas bem avançadas tecnologicamente para tratar da questão do lixo. É antiquado saber que o lixo vai ser enterrado nos tempos atuais”.
José Arraes, presidente da Associação dos Moradores do Mogilar.

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