Moradores dizem não, não e não

Cesar de Oliveira

Assim como a maior parte dos mogianos, os moradores do Taboão não querem a instalação de um aterro sanitário no distrito. Eles temem que o solo e a água possam ser contaminados pelo lixo. Além disso, o cheiro e o impacto visual causados pelos resíduos que irão se acumular também são apontados como problema.

Para a dona de casa Natália Correia do Carmo, 36 anos, que mora no bairro desde quando nasceu, o principal problema que pode ser causado pelo aterro é a contaminação da água. Ela contou que os moradores do local já são obrigados a conviver com o cheiro do aterro Anaconda, localizado em Santa Isabel. “Daqui dá para sentir o cheiro do lixo, isso porque esse lugar está um pouco longe. Agora imagina com o aterro aqui perto?”, indagou. O agricultor Wilson Kojima, 25 anos, trabalha em uma propriedade localizada na frente da área onde o lixão poderá ser instalado. Ele comentou que está bastante preocupado com a situação porque acredita que a água poderá ser contaminada. “Nós utilizamos a água do poço para beber e a de um córrego para a irrigação. Nosso medo é que tudo isso seja contaminado pelo lixo, porque não temos nenhuma garantia de que não vai acontecer”.

Outro que também mora em frente à área da construtora Queiroz Galvão é o caseiro Jair Benjamim de Oliveira, 62 anos. Ele contou que o proprietário da casa, da qual toma conta, já comentou que se o aterro for instalado vai vender a propriedade. “Ele disse que não vai querer vir para cá e ver um monte de lixo amontoado com urubu voando por aqui. Mas eu acredito que vão conseguir barrar esse lixão”, comentou o caseiro.
Quando perguntada sobre o aterro, a dona de casa Escolástica dos Santos, 49 anos, disse que a implantação já foi liberada e que não tem mais jeito de fazer nada. Depois que a reportagem explicou que o processo de licenciamento ambiental ainda está em andamento, ela disse que o problema numa situação como esta é que os responsáveis nunca cumprem com o que prometem no projeto. “Ninguém garante que não vai haver contaminação aqui, mesmo que eles estejam colocando isso no projeto. Além disso, receber lixo de outras cidades não é certo, teria de ser só de Mogi, no máximo”, disse.

Morador do bairro há 23 anos, o oleiro José Roberto de Almeida, 44 anos, contou que está bastante preocupado com o que tem ouvido dos vizinhos. Ele comentou que não tem muitas informações sobre o aterro, somente o que ouve falar: “Não sei muito bem o que está acontecendo, mas disseram que é um lixão. Se for isso mesmo, não quero que venha para o Taboão, porque pode contaminar o rio e o solo”, afirmou Almeida.

Estamos contra este projeto e vamos continuar nesta luta. Muitos produtores investiram tudo o que tinham na compra de equipamentos para incrementar a produção e um lixão vai prejudicá-los diretamente”.
Jorge Ikuta, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mogi.

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Se esse aterro sanitário for instalado de fato em Mogi, vai ser um verdadeiro crime contra a cidade. Aquelas pessoas que vivem próximo ao terreno onde a empresa quer implantar o lixão vão sofrer muito com isso”.
Ricardo Strazzi, presidente da Apae de Mogi das Cruzes.

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