“Vontade popular tem de ser respeitada”

Cesar de Oliveira

A professora e doutora Wanda Risso Günther, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), afirma que a vontade popular diante da proposta de instalação do aterro sanitário tem de ser levada em conta antes da concretização do projeto. Wanda, porém, vê dois lados na questão ao fazer sua análise para o Mogi News.

“Quando é um projeto bem feito, com tudo aquilo que é necessário para se fazer uma instalação como essa, é bom. O custo é bem menor em relação à incineração ou compostagem, portanto, esta alternativa aparece como uma das principais, sobretudo, porque é impossível reciclar 100% do lixo urbano que é produzido atualmente. Aquilo que sobra da reciclagem precisa ter um destino e acaba indo para os aterros”, explicou a professora. No entanto, ela lembrou que na maioria das vezes os aterros não são feitos em locais adequados e a operação é falha, permitindo a entrada de pessoas e cuidando incorretamente do gás metano e do chorume (líqüido de forte odor resultante do lixo).

A especialista afirmou que é indispensável a recuperação do gás e a drenagem dos líqüidos. “Um bom projeto de aterro prevê tudo isso que estou falando, já que sem estes cuidados há uma grande possibilidade do meio ambiente ser contaminado”.

Wanda comentou que a população pode contribuir para atenuar os problemas oriundos da grande quantidade de lixo produzida nas cidades. A coleta seletiva e a compostagem seriam boas opções, segundo a professora. Ela acrescentou que, desta maneira, os impactos causados pelo aterro seriam bem menores porque o material depositado já teria passado por uma seleção e somente os resíduos degradáveis iriam para o solo. Um outro importante aspecto levantado pela professora diz respeito às áreas onde aterros podem ser instalados. “Existe uma legislação que não permite esses empreendimentos em zonas residenciais, porque o impacto seria muito maior por conta da vizinhança. Por esse motivo, sob o ponto de vista técnico, ele só pode ser instalado em uma zona industrial”, finalizou Wanda.

Opção

No Alto Tietê e também na Grande São Paulo, faltam locais adequados para a disposição de resíduos.

Atualmente, oito cidades da região enviam os materiais para o aterro Pajoan, em Itaquaquecetuba. Lá o limite diário estabelecido pela Cetesb é de 900 toneladas. Mas as informações sobre a vida útil deste aterro são desencontradas e sua expansão tem sido questionada pelo Ministério Público, que chegou a interditar o empreendimento recentemente, o que causou, temporariamente, caos na coleta de lixo nas cidades.

Considero que a principal questão é a de que o interesse particular nunca deve se sobrepor ao público, por isso sou contra o aterro. A destinação do lixo deve ser trabalhada de uma forma bastante cuidadosa porque a realidade é que o nosso atual modo de vida resulta em uma quantidade muito grande de resíduos”.
Daniel de Freitas Campos, responsável pela Vigilância Sanitária.

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Sou contra o aterro porque este tipo de instalação não é boa para nenhuma cidade. Acredito que muita coisa poderia ser feita em uma área tão grande quanto aquela, menos um depósito de lixo. Se fosse somente para receber lixo de Mogi ainda daria para aceitar, mas para receber dejetos de outros locais não é a melhor solução”.
Roberto Gomes Faria, ex-diretor do Semae.

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