Professor diz que aterro é opção viável

Para dizer se a instalação de um aterro sanitário é certa ou errada é preciso levar em consideração o contexto do local onde se pretende fazer o empreendimento e mais uma série de outras questões. O impacto na vizinhança, a questão do espaço físico e verba para investimento são apenas algumas das variáveis lembradas pelo professor da faculdade de Educação e da Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam) da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Roberto Jacobi. Diante da situação de diversas cidades do país, nas quais os lixões são comuns, o professor comentou que a implantação de aterros sanitários representa um certo avanço no tratamento dos resíduos urbanos. “É um tema que suscita muitas opiniões e interpretações para definir qual é a melhor solução para o lixo. É preciso lembrar também que no Brasil não há efetivamente outras opções viáveis que possam substituir os aterros, mas isso não quer dizer que ele seja a melhor maneira de resolver a situação”, explicou.

O especialista acrescentou que o aterro pode ser uma alternativa razoável desde que o projeto seja feito respeitando-se todas as determinações existentes para este tipo de instalação. O principal problema, lembrou, é depois que o empreendimento está em funcionamento e não há o cuidado necessário para evitar a contaminação do solo, do ar e a presença de pessoas que tirem o sustento daquele local.

Jacobi ainda chamou a atenção para a questão de como os brasileiros tratam o lixo. “É de fundamental importância que a quantidade de informações para as pessoas seja maior, principalmente sobre coleta seletiva. Se as prefeituras implantassem essa política, aliada à conscientização da população, os aterros poderiam funcionar sem grandes danos, porque o material já teria passado por uma triagem e, além disso, o que fosse depositado ali ainda poderia ser reutilizado de alguma maneira”, disse o professor. Ele afirmou que não vê outra solução para tratar dos dejetos urbanos no Brasil, que não comece com a educação. “Em diversos países a seleção e a separação do lixo é uma realidade. Não que eles não tenham problemas com isso, no entanto fica muito mais fácil de lidar com a situação. No nosso país, atualmente esta é a opção gerencial mais interessante”, concluiu. (C.O.)

É preciso levar em consideração onde um projeto como esse vai ser implantado. Existe uma preocupação muito grande em relação a uma possível contaminação da água e do solo. Não sabemos ao certo o que vai acontecer depois que o lixão estiver em funcionamento”.
Padre Vicente Morlini, diretor da fundação Pró+Vida.

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Até pelo fato de estar ligado à área da saúde, me coloco totalmente contra este aterro. Além disso, não vejo nenhuma vantagem para a cidade receber um empreendimento deste tipo e vai contra as características pelas quais Mogi e região são conhecidas, como o cinturão verde do Estado.
Marcelo Cusatis, gestor do Hospital Santana.

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