Pesquisa analisou o lixão da Volta Fria

Cesar de Oliveira

Uma tonelada e meia de lixo, três anos de escavações, seis mil itens diferentes identificados e catalogados e a conclusão de que é inevitável a utilização de aterros sanitários no Brasil atualmente. Estas são apenas algumas das informações obtidas pelo professor da Universidade Cruzeiro do Sul, André Wagner Oliani Andrade, depois de concluir sua tese de doutorado sobre a arqueologia do lixo, apresentada na Universidade de São Paulo (USP).

Pelo fato de ser mogiano, o professor escolheu a área onde funcionava o lixão da Volta Fria para sua pesquisa, que é a única desta natureza realizada no Brasil. A conclusão de que os aterros sanitários são inevitáveis vem acompanhada de um importante complemento. “É preciso que se mude a maneira como o lixo é enterrado nesses locais, isso é o mais importante. Se mudar este procedimento é possível que no futuro as pessoas consigam tirar algum proveito daquele material enterrado. Então, proponho uma mudança em todo este processo”, explicou Andrade.

O terreno da Volta Fria recebeu lixo por mais de 30 anos, sendo oficialmente fechado em março de 2004. Durante todo este período os resíduos foram enterrados sem nenhum tipo de controle ambiental e as escavações realizadas pelo pesquisador demonstraram que é possível encontrar lixo em pontos diferentes do local, provando que a maneira como os dejetos eram depositados não obedecia a um planejamento prévio.

Exemplos de que a maneira atual de aterrar lixo não é o procedimento mais adequado para tratar da questão foi a descoberta de materiais, supostamente degradáveis, completamente intactos depois de anos sob a terra. “Encontramos muito papel, de jornal inclusive, sem a menor indicação de degradação, isto porque dizem que é um material que se decompõe em seis meses no meio ambiente. Por outro lado, achamos latas e materiais plásticos, que levam mais tempo para se degradarem, em avançado estado de decomposição”, contou o professor.

Doce

Dentre as descobertas do trabalho, umas delas é bastante curiosa: a grande quantidade de açúcar consumida pelos mogianos. Depois de classificar todo o material em categorias diferentes, o pesquisador descobriu que a maior quantidade de embalagens encontradas foi de produtos com alto grau de concentração de açúcar. “Foi possível perceber que os mogianos consomem muito açúcar. No ranking por quantidade de embalagens encontradas, o refrigerante ficou em primeiro lugar, seguido por doces, balas e pirulitos, e em terceiro lugar ficou o leite. Outras coisas que achamos muito também foram embalagens de bolacha e produtos de panificação em geral. Daí pode-se dizer que os hábitos alimentares dos mogianos incluem bastante açúcar”, concluiu o professor.

Como biólogo, trabalhei na avaliação do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente da área do Taboão, apontando implicações ambientais da instalação do aterro em Mogi. Há ainda a questão do desenvolvimento do município e do Estado. Não quero que meu neto tenha no futuro um lixão na cidade”.
Aroldo da Costa Saraiva, secretário de Finanças da Prefeitura de Mogi das Cruzes.

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“Um aterro não é uma ocupação mais adequada para aquela área. De acordo com o projeto apresentado, a cidade só tem a perder com o aterro, não vejo nada de positivo. Além disso, ninguém quer uma lata de lixo instalada na sala de estar de sua casa”.
João Francisco Chavedar, secretário de Planejamento e Urbanismo.

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