Construtora garante que aterro contribuirá com o desenvolvimento

Contrariamente ao que diversos setores da sociedade mogiana têm dito sobre o aterro sanitário que pode ser instalado no distrito industrial do Taboão, a construtora Queiroz Galvão, empresa responsável pelo empreendimento, defende que o Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos de Mogi das Cruzes (Centres) vai atrair mais empresas para a cidade e não espantá-las. Isto aconteceria, segundo a companhia, porque atualmente Mogi não conta com um local para o despejo de lixo e isso preocupa as indústrias que querem vir para a cidade. As informações disponíveis na página do aterro na internet (www.centres.com.br) defendem o desenvolvimento industrial a partir da implantação do aterro. O texto diz que “o desenvolvimento industrial é comprometido pela falta de um aterro sanitário. O Centres também poderá receber resíduos industriais do tipo classe IIA, considerados não-perigosos das indústrias. Hoje, as empresas de Mogi têm custo extra para enviar seus resíduos para aterros localizados fora do município. As empresas, quando avaliam locais para instalar novas unidades, levam em consideração a existência de um local adequado para dispor seus resíduos. E isso Mogi ainda não tem”. Mais adiante, a empresa sentencia: “Ser contra um aterro sanitário moderno como o Centres é ser contra o desenvolvimento e progresso da cidade”.

O mesmo texto afirma que o aterro vai ser uma fonte de geração de empregos e arrecadação para o município, criando “mais de uma centena de vagas diretas e indiretas, além dos impostos”. Em pelo menos dois trechos é defendida a modernidade do aterro, classificando-o como um local adequado para o recebimento e tratamento de resíduos residenciais e industriais, sem causar nenhum dano ao meio ambiente ou à população residente próximo à área.

Local é ideal

No espaço intitulado ficha técnica da página na internet criada para explicar o Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos de Mogi das Cruzes (Centres), a construtora Queiroz Galvão explica como será o funcionamento do aterro. De acordo com a página eletrônica, o Centres vai receber somente resíduos domiciliares e industriais que não oferecem risco ao meio ambiente. Além da área de 600 mil metros quadrados onde o lixo vai ser depositado, a empresa diz que haverá uma “imensa área” para o reflorestamento com espécies nativas, transformando o local em um verdadeiro parque ecológico para a população de Mogi. A construtora justifica a escolha do Taboão para abrigar o aterro porque é um local com boas dimensões, acessibilidade, vizinhança, ocupação atual do terreno, zoneamento municipal, topografia, condições do solo, vegetação, ocorrências de rios ou córregos e volume de águas subterrâneas. As condições do terreno, garante a empresa, favorecem a instalação e não causam prejuízos ao meio ambiente. Além disso, é informado que uma série de ações como impermeabilização do solo, sistemas de drenagem e monitoramento também impedem as agressões à natureza. Sobre a vizinhança, a construtora diz que a “baixíssima” densidade demográfica do bairro, com apenas 62 moradias, não terá nenhum tipo de prejuízo com o aterro. Ela também afirma que as propriedades rurais poderão continuar desenvolvendo as atividades normalmente, já que o despejo dos resíduos não vai afetar a produção agrícola e a criação de animais.

Compensação

A criação de um parque ecológico, de um núcleo de educação ambiental e de um centro comunitário são apenas algumas das obras compensatórias prometidas pela empresa.

Além disso, a empreiteira Queiroz Galvão propõe o resgate e a revitalização da capela Nossa Senhora Aparecida e das ruínas de uma casa de taipa. (C.O.)

“Existe um risco muito grande de contaminação do solo e, conseqüentemente, da água naquela área com a vinda deste aterro. Isso sem contar os outros tantos aspectos envolvendo a instalação de um lixão. É preciso lembrar que há alternativas bem avançadas tecnologicamente para tratar da questão do lixo. É antiquado saber que o lixo vai ser enterrado nos tempos atuais”.
José Arraes, presidente da Associação dos Moradores do Mogilar.

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Cada cidade deve cuidar do seu lixo e empurrar para outras não é a melhor solução, como propõe o aterro. Mas o que mais me preocupa é que, aparentemente, as pessoas que realmente podem fazer alguma coisa, não estão fazendo. Independente da minha opinião em relação ao projeto, penso que está faltando esta ação”.
Duda Lima, publicitário da RP Propaganda.

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