Sem aterro, Taboão poderá gerar 40 mil empregos

Cesar de Oliveira

Um distrito com grande vocação industrial. Esta é a definição correta para o Taboão, de acordo com as características do local. Criado por meio de uma lei estadual em 1978, o local, com 15,420 milhões de metros quadrados, é uma das únicas áreas de Mogi destinadas à instalação de empresas, já que, conforme a legislação que estabeleceu as áreas de proteção a mananciais, a cidade tem quase metade de todo o seu território protegido pela lei, que impõe uma série de restrições ambientais para a instalação de novas indústrias. De acordo com informações da Prefeitura, há 17 empresas em atividade no bairro atualmente. Elas ocupam cerca de 18% do total do distrito. Segundo a Prefeitura, outras 15 companhias estão em processo de instalação e há espaço disponível para a vinda de mais 80 empresas de médio porte em um período de 10 anos.

Levando-se em consideração as opiniões dos principais representantes do setor industrial da cidade, aquelas indústrias, cuja instalação está em andamento, e as outras 80 correm o risco de não virem para a cidade caso o aterro sanitário seja instalado no bairro. Os empresários, reticentes, não querem um lixão na vizinhança.

Os prejuízos desta desistência teriam um impacto direto na geração de emprego e receita para a cidade e, conseqüentemente, para o crescimento. As 17 empresas em funcionamento atualmente repassam anualmente à Prefeitura R$ 11.852.416,01 somente de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS). Quando toda a área do distrito estiver ocupada por empresas, totalizando 112, a estimativa do Executivo é que esse número na arrecadação salte para mais de R$ 52 milhões por ano. Além disso, existe uma previsão de que dentro destes dez anos sejam criados mais de 40 mil novos postos de trabalho.

Contraste

Segundo o projeto inicial apresentado pela Queiroz Galvão, o aterro vai ocupar uma área de 2,250 milhões de metros quadrados, pouco menos do espaço onde as 17 empresas já instaladas funcionam gerando mais de 1,2 mil empregos diretos. O empreendimento da construtora prevê a criação de 124 vagas diretas. Considerando-se a geração de impostos para o município, os números do aterro sanitário ficam novamente bem atrás das indústrias. Caso entre em funcionamento, o lixão vai repassar R$ 38 mil de Imposto Sobre Serviço (ISS) para a cidade mensalmente, totalizando R$ 450 mil por ano. Em um outro cálculo, a empresa receberia R$ 60 para cada uma das 1.049 toneladas de lixo diárias previstas para o aterro. Em um ano de funcionamento, a Queiroz Galvão receberia R$ 19 milhões pelo lixo e teria um lucro de mais de R$ 18 milhões, descontando o ISS.

Os prejuízos causados com a instalação do aterro sanitário estão muito claros e não vamos desistir de lutar contra esse projeto. Nenhuma empresa vai querer se instalar naquela área se um lixão estiver funcionando ali. Imagina uma indústria alimentícia, por exemplo, fabricando seus produtos ao lado de um lixão. É algo impossível”.
Mário Berti Filho, presidente da Associação de Proteção Ambiental Guerrilheiros da Serra do Itapeti.

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Além de ser contra o aterro em Mogi, sou totalmente contra qualquer tipo de empreendimento deste tipo, porque o lixo é uma riqueza e deve ser aproveitado como tal. Os aterros não geram nada de positivo para as cidades”.
Dilson Del Bem, diretor do Semae.

desenvolvido por Caio Cunha