E se Mogi não tivesse a Perimetral?

Márcio Siqueira

Imagine Mogi das Cruzes sem a Perimetral. Faça um exercício de abstração e se veja, sem conhecer a cidade, chegando de São Paulo, pela Mogi-Dutra, e tendo de ir até a Mogi-Bertioga. Você terá de se enroscar num centro de ruas estreitas, ficar parado ali entre a praça Sacadura Cabral e a rua Princesa Isabel de Bragança, até que o trânsito escoe na rua Ipiranga.

Ou volte alguns poucos anos no tempo e relembre o mesmo cenário. Era daquele jeito que Mogi parava, principalmente em fins de semana de verão e em feriados mais quentes. A Grande São Paulo passava por dentro da cidade.

Volte no tempo um pouco mais e perceba a luta que era ir para Suzano tendo de passar pelo centro da cidade, acessar a Voluntário Fernando Pinheiro Franco e seguir rumo à cidade vizinha, parando em um sem-número de semáforos.

Vá mais além no tempo, até 1985, e perceba que o conjunto de apartamentos do Jardim Maricá, no Rodeio, embora já populoso, era um fim de caminho.

Ali, a 1,8 km da Mogi-Guararema, havia uma fazenda, da então Companhia Suzano, no meio do caminho, e a ponte velha do Rodeio já existia, mas era precária, e o bairro Nova Mogilar, que não tinha esse nome, servia apenas para que aviõezinhos de controle remoto sobrevoassem em terreno plano e amplo.

No distrito de Brás Cubas, entre as avenidas Francisco Ferreira Lopes e Japão, havia apenas o córrego do Gregório, a dividir, por exemplo, a Vila Cléo do Jardim Universo e quem tivesse de sair da SP-66 em direção à Vila Brasileira tinha de entrar nas “quebradas”, passar por ruas de terra e, às vezes, até atolar.

Progresso

O desenvolvimento veio no rastro da avenida Perimetral, que foi surgindo progressivamente e urbanizando seus arredores. O primeiro trecho da via Perimetral, da Mogi-Guararema ao Rodeio, ficou mantido em seu estado normal, porque é quase que uma servidão de passagem.

Mas o desenvolvimento em toda a extensão da avenida Lothar Waldemar Hoenne foi notado nos primeiros anos de Perimetral e foi se consolidando até chegar aos dias de hoje.

Nada parecido, no entanto, com a expansão às margens da avenida Henrique Perez, em Brás Cubas. Ali surgiu, no fim dos anos 90, uma unidade da rede Extra, postos de gasolina, comércios variados e, por último, uma filial da rede Alabarce de supermercados. Explica-se: ali verdadeiramente é o caminho do mar, uma via que leva-e-traz à Mogi-Bertioga.