Habitação: Déficit e casas vazias
Segundo dados oficiais, Mogi das Cruzes tem 12 mil moradias vazias, ou seja, três mil a mais que o déficit habitacional local
Em números oficiais, o déficit habitacional de Mogi é de 9 mil moradias, ou seja, há 9 mil famílias sem condições de comprar ou alugar uma casa. Mas o número de imóveis ociosos, sem nenhuma utilização é surpreendente: 12 mil, 3 mil a mais que o necessário para abrigar as famílias carentes da cidade.
A Prefeitura explica esta descompensação. Os imóveis ociosos são de pessoas que não vendem, não alugam e nem moram no imóvel. E as pessoas sem casa estão irregularmente instaladas em bairros periféricos. “Estes dados são da Fundação João Pinheiro, de 2000, e este quadro não deve ter sido alterado significativamente. Nos últimos anos, muitas casas foram construídas, mas foi regular ao crescimento do número de habitantes”, esclarece o secretário de Planejamento e Urbanismo, João Francisco Chavedar.
As 9 mil famílias estão distribuídas em 79 assentamentos irregulares. A grande maioria deles está à beira do rio Jundiaí, em Jundiapeba, o que também acarreta danos ambientais e sociais.
O problema da ocupação irregular já é antigo na cidade, mas cresceu proporcionalmente ao desenvolvimento da cidade. Com a pressão da população, algumas ocupações mais antigas acabaram sendo regularizadas pelo governo, que teve de levar água, energia elétrica, esgoto, transporte e toda a infra-estrutura necessária.
Para o arquiteto e urbanista e ex-secretário municipal de Planejamento e Urbanismo João José Mosrri, todos estes problemas são decorrentes da falta de planejamento, e a cidade tem, agora, a chance de consertar isso, com a aplicação do Plano Diretor.
Investimentos
O secretário estima um valor de R$ 250 milhões para acabar com o déficit habitacional. Os custos para a administração pública levar infra-estrutura aos bairros, especialmente os mais distantes, são muito altos e os recursos, limitados, mas é uma das obrigações do governo.
“Não é justo investir numa avenida no centro, induzir a uma maior arrecadação e ter pessoas morando numa favela. Temos gente na Vila Nova União sem água, luz e esgoto, por isso, as coisas realmente precisam ser muito bem planejadas. E quando eu digo ‘planejamento’, não quero dizer só o urbano, quero dizer também o econômico, político e, principalmente, o orçamentário”, diz Chavedar.
O arquiteto Jamil Hallage diz que a ida de empresas para lugares distantes também dificulta o trabalho de investimentos em infra-estrutura. “Uma cidade desenvolvimentista deve ocupar toda a sua área livre, principalmente a que está próxima ao centro, para facilitar a disponibilidade de infra-estrutura. Quando a indústria ou o empreendimento escolhe uma área distante, fica muito caro levar estrutura até lá”. (K.G.)
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