Segurança: Tecnologia no combate à criminalidade

Douglas Pires

A criança peralta entra na bomboniere e lê o aviso na parede: “Sorria, você está sendo filmado”, rapidamente, ela tira o dedo do nariz e nem pensa em mexer no baleiro sobre o balcão. A mesma sensação é vivida pelo casal apaixonado, quando nota que existe um aparelho captador de imagem instalado no teto do elevador. Disfarçadamente eles mudam de atitude. A tendência do “voyeurismo” – palavra de origem francesa que significa: observar pessoas sem que elas notem que estão sendo vistas –, de uns tempos para cá, não é mais vista como instrumento de prazer, mas como uma ferramenta de combate à criminalidade.

No passado, muita gente acreditou que, com o crescimento das grandes cidades, as armas mais eficazes usadas pela polícia, no futuro seriam os grossos calibres e mísseis, ou seja, se igualar ao poder bélico da bandidagem. No entanto, o que se vê hoje, é o contrário: a segurança pública usa tecnologia na guerra contra a criminalidade.

Mogi das Cruzes aplicou esta fórmula e se deu bem. Criou o sistema de monitoramento por câmera da Central de Emergências Públicas (Ciemp). Trinta equipamentos espalhados em pontos estratégicos são capazes de monitorar os mogianos 24 horas. Desde junho de 2005, pelo menos, 115 pessoas foram detidas em flagrante: uma média de 4,4 detenções por mês. Em 26 meses, as ocorrências registradas no raio das lentes captadoras foram caindo. Redução que chega, hoje, a 55%.

Nos primeiros seis meses, 29 flagrantes foram elaborados com o auxílio do equipamento. No mesmo período do ano seguinte, foram só 13 ocorrências. De janeiro a julho de 2006, 20 ações terminaram em prisões. Nos sete meses deste ano, a cidade teve nove flagrantes denunciados pelas câmeras. Por isso, já existem planos para que o monitoramento seja expandido: “Da forma como foi concebido, este sistema comporta uma vasta ampliação. É claro, que precisamos de liberação de recursos para que isto ocorra”, detalha o coordenador de segurança pública de Mogi das Cruzes, Joaquim Perez.

As lentes inibiram os arruaceiros da madrugada, ladrões, pichadores e a bandidagem de uma forma geral: “A pessoa que vê o equipamento ou sabe que ali tem uma câmera, desiste de fazer algo errado. Tem gente que não acredita na eficácia do sistema, mas ele funciona sim. Os operadores visualizam tudo, durante 24 horas, se vêem algo suspeito, aproximam o campo de visão da câmera e acionam a Polícia Militar”.

Estatística

A tecnologia também vem sendo usada na Delegacia de Homicídios de Mogi das Cruzes, que já conseguiu reduzir o número de assassinatos na cidade. Foram 13 assassinatos ocorridos nos sete primeiros meses de 2007 contra 28 contabilizados entre janeiro e julho do ano passado, uma redução de 53%.

“Trabalhamos demais em cima dos dados estatísticos, por isso posso afirmar que a polícia vem usando a tecnologia a seu favor. Comparamos os dados e mapeamos tudo. Isso aumenta o índice de esclarecimento dos homicídios, fazendo com que os criminosos pensem muito mais antes de tirar a vida de alguém”, diz o delegado Luis Roberto Biló, apontando os números na tela do computador.