Esportes: Iniciativa que faz a diferença

Mesmo com pouco – ou nenhum – incentivo, atletas vêm se destacando em diversas modalidades e divulgando o nome de Mogi para o Brasil e para o mundo. Em outra frente de trabalho, pessoas sérias têm feito do trabalho voluntário uma forma de descobrir e encaminhar novos talentos. Conheça alguns destes mogianos, que batalham para a consolidação do esporte no município:

Futebol

O Centro de Formação de Atletas (CFA) Mogi Futebol Clube é um caso raro na cidade de escolinha de futebol promovido por meio de um trabalho voluntário. Coordenado pelo estudante de educação física Anderson Pereira da Silva, o projeto foi lançado há três anos e tem como foco principal formar atletas profissionais.

De acordo com o professor, do quadro atual de atletas, seis estão no sub-15 do AD Guarulhos e outros três, no Ecus de Suzano. Apesar da visão social, Silva esbarra num problema comum aos clubes de futebol: a falta de incentivos. Ele revela que, todo mês, coloca dinheiro do próprio bolso para que o projeto não pare. Mas, mesmo assim, ele descarta qualquer possibilidade de abandonar o trabalho.

Atualmente, o clube conta com 40 atletas, divididos entre as categorias sub-15 (infantil) e sub-17 (juvenil). No mês de julho, os garotos do Mogi Futebol Clube trouxeram o vice-campeonato do 5° Mundialito de Futebol Prada Sports, que foi realizado em Estiva Gerbi, interior de São Paulo.

Boxe

O pugilista mogiano Jackson Durães, da Academia CT Boxe/Samed/Ortomed e atleta da seleção brasileira de boxe que disputou os Jogos Pan-americanos do Rio, é o exemplo de superação e perseverança a ser seguido. Com dez anos de carreira, o pugilista não fugiu à regra dos milhares de boxeadores do País e teve de batalhar muito para alcançar o reconhecimento. Mesmo na reserva do medalhista de prata Éverton Lopes, Durães se destaca como o principal atleta mogiano da atualidade. Apesar de todo potencial apresentado, o boxeador não vive exclusivamente do esporte e precisa trabalhar aos finais de semana como pedreiro para completar a renda: “Após a convocação para o Pan, achei que conseguiria patrocinadores para viver do boxe como um atleta profissional. Porém, mesmo com toda exposição na mídia, os empresários continuam sem investir no esporte mogiano”, lamenta.

Para o técnico Jucelino Alves, o Juça, com a aprovação da lei de incentivo fiscal ao esporte, a tendência é que novos investidores patrocinem os desportistas mogianos.

Vôlei sentado

“Eu quero, eu posso, eu faço – Vôlei Brasil”. Este é o lema da seleção brasileira de voleibol sentado (adaptado), que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Parapan-americanos Rio 2007. Integrante da seleção há cinco anos, o mogiano Rodrigo Alves Melo se orgulha da conquista brasileira e destaca a força do conjunto como principal ponto de referência: “Somos uma família e não há um destaque individual. Todos nós somos responsáveis por esta conquista memorável”.

A história de Melo com o vôlei sentado começou há cinco anos, quando, aos 17 anos, foi atropelado e teve de amputar a perna esquerda. Dois meses depois, passou a praticar o esporte adaptado.

Além do ouro, outra conquista: Melo foi considerado o melhor líbero da competição pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB): “É importante este reconhecimento, porque eu tenho certeza que, a partir de agora, o desporto paraolímpico será visto de outra maneira. Além disso, as portas estarão abertas aos atletas de diferentes modalidades”, destaca.

Caratê

Outro trabalho voluntário que vem revelando talentos é a Associação Mogi das Cruzes Projeto Social Karatê Shotokan, coordenada atualmente por Aroldo Silva Barbosa, que atende mais de 70 crianças mogianas com aulas gratuitas de caratê, na quadra da escola Helena Urbano Nagib, na Vila Nova Cintra. As atividades, que começaram em 2003, conta com parceiros como a Reichhold do Brasil Ltda., a Bem Bolado Futebol Clube, a Caxamba Visual, a Escola Helena Urbano Nagib e o vereador Protássio Ribeiro Nogueira (DEM).

Apesar de Barbosa afirmar que a intenção do projeto não é estimular a competição, mas a reestruturação familiar por meio do esporte, os primeiros resultados começam a aparecer. Atletas do projeto conquistaram excelentes resultados na Copa do Brasil 2007, realizada no interior paulista. De lá, trouxeram o vice-campeonato por equipes.

O projeto começou há quatro anos por iniciativa do jovem Jhonatas Silva Scarpine, sua mãe, Vera, e o irmão, Gabriel, no Clube de Malha da Vila Cintra, com 15 alunos.