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| .:: Ensino | |
O que muda com a reforma ortográfica de 2008 As pessoas que já perderam pontos em provas na escola, na faculdade e em concursos por esquecer de colocar o trema (aqueles dois pontos em cima da letra U) podem respirar aliviadas. Tudo indica que, a partir do ano que vem, este recurso não será mais necessário, assim como os acentos em palavras como vôo, lêem e heróico, além de mudanças nas regras para o hífen e a inclusão das letras K, W e Y no alfabeto. Todas estas modificações serão colocadas em prática com a reforma ortográfica, que vem sendo preparada no Brasil há algum tempo. O Ministério da Educação prevê a implantação oficial das mudanças para o primeiro semestre de 2008. O que pode protelar este processo é o pedido de outros países onde o português é a língua oficial, para que o tempo de preparo seja estendido. Especula-se que Portugal, uma das oito nações, incluindo o Brasil, onde se fala o nosso idioma, teria pedido ao governo brasileiro um prazo maior. A reforma que, tecnicamente, terá pouca representatividade (entre 0,5% e 2% do vocabulário brasileiro) deve gerar muitas dúvidas e encontrar resistência em pessoas mais conservadoras. “Algumas pessoas se adaptam mais rápido e outras demoram mais ou são resistentes. Quando eu era jovem, a moeda brasileira era réis e um milhão de réis correspondia a um conto de réis. Depois disso, houve muitas outras moedas, mas eu tenho um amigo que até hoje usa este termo quando vai falar de dinheiro”, compara a secretária de Educação de Mogi das Cruzes, Maria Geny Borges Ávila Horle. ::::::::::::: Os pontos positivos e negativos da mudança A necessidade da reforma ortográfica, que deve entrar em vigor no próximo ano, e o tempo que as pessoas vão demorar a se adaptar são questionáveis, mas a maioria dos educadores considera a mudança positiva. Para o professor de história e assessor pedagógico da Universidade Braz Cubas, Leandro Bassini, o idioma sofrer alterações de tempos em tempos é uma conseqüência e isso deve ser encarado com naturalidade. “A língua está em constante transformação. Sempre haverá reformas, certamente outras serão feitas no futuro. Estas modificações não podem gerar medo ou pânico em ninguém. É preciso aceitar, por exemplo, as novas palavras, que antes não eram consideradas palavras do português, e que, com o tempo e o uso, são incorporadas”, diz o professor, lembrando que a reforma anterior aconteceu em 1971. A dirigente de Ensino de Mogi, Teresa Lúcia dos Anjos Brandão, que acumula anos de experiência no ensino estadual, acredita que a reforma será benéfica, embora cause um pouco de conflito no início. “Não será uma grande mudança. É claro que tirar palavras que estão em desuso ou consoantes que não têm função ou, ainda, hífen onde não há necessidade de ter é ótimo, porque facilita a ortografia. O que pode causar um pouco de confusão é a mudança na acentuação, porque a fala não muda, mas, como a grafia vai mudar, talvez na hora da leitura ocorram alguns problemas”. |
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