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Edição 5174

Publicada na sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mundo Gospel

Matéria publicada em 30/07/10
artigo
Deixar É Amar
Pastor Max Lucado

O Evangelho está cheio de desafios que provam a nossa fé e resistência contra a natureza humana.
"Mais bem-aventurado é dar que receber", "Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará". Mas nenhuma declaração é mais difícil de entender do que a de Mateus 19:29: "E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto e herdará a vida eterna".
O trecho sobre deixar casas e propriedades posso compreender. É o outro trecho que me faz estremecer. A parte sobre deixar pai e mãe, dizer adeus aos irmãos e irmãs, dar um beijo de despedida num filho ou filha. Por que devo estar disposto a deixar meus entes queridos?
"Mulher, eis aí o teu filho" (João 19:26).
Maria está mais velha. Ela criou vários filhos e agora contempla a crucificação do primogênito. Ficamos pensando quais as lembranças que lhe passam pela mente enquanto testemunha a tortura dele. Talvez, aquela manhã que Jesus chegou da oficina, seus olhos mais firmes, sua voz mais direta. Ele ouvira as notícias. "João está pregando no deserto". Seu filho tirou o avental, limpou as mãos e com um último olhar despediu-se da mãe. Ambos sabiam que nada mais seria igual de novo. Naquele olhar eles compartilharam um segredo, cuja extensão era penosa demais para ser repetida em voz alta.
Maria aprendeu naquele dia que o sofrimento vem com a despedida. A partir daquele momento teria de amar o filho à distância. Ela não foi a primeira a ser chamada para despedir-se de seus entes queridos por causa do Reino de Deus. José foi chamado para ser órfão no Egito. Ana levou seu primogênito para servir no templo. Daniel foi enviado de Jerusalém para a Babilônia. Paulo teve de despedir-se da sua herança.
De fato, parece que adeus é uma palavra que prevalece no vocabulário cristão. Os missionários a conhecem muito bem. Que tipo de Deus colocaria as pessoas em tal agonia? Que tipo de Deus lhes daria famílias e depois pediria que as deixasse? Que tipo de Deus lhes daria amigos e depois pediria que lhes dissesse adeus?
Resposta: Um Deus que sabe que somos apenas peregrinos, que a eternidade está bem perto e que qualquer "Adeus" é na verdade um "Te vejo amanhã". Um Deus que também fez isso: "Mulher, eis aí o teu filho". Um Deus que sabe que o amor mais profundo não é construído sobre a paixão e o romance, mas sobre uma missão e um sacrifício comuns.


MAX LUCADO é pastor norte-americano e escritor. Considerado o autor campeão de vendas no segmento de inspiração nos EUA e no mundo, ele já vendeu mais de 70 milhões de exemplares em diversos idiomas.

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